sábado, 27 de março de 2010

Ana, a Gorda [2]

http://milesimatentativa.blogspot.com/2010/02/ana-gorda-1.html (Ana, a Gorda [1])



Bem, onde esteve Ana durante todo esse tempo??

Ana, Ana... Ana estava caçando a Ana! [meu pai diz isso às vezes. É algo como caçar confusão rs]

***

Ana sempre gostou de seu nome por ele ser um palíndromo. Se o lesse de trás para frente, obteria a mesma palavra: anA. E uma de suas maluquices mais malucas era acreditar que tanto fazia conhecer a Ana por fora como conhecer a Ana por dentro. Eram exatamente a mesma pessoa!

Por fora era gorda, claro. Muito gorda. Mas ela não ligava. As pessoas ao seu redor é que pareciam se importar com isso, como se tivessem a obrigação de sempre reparar nela. O único ser a quem dava desconto era sua mãe. Mas só por ser sua mãe, claro.

Aliás, a palavra claro não é uma gíria, mas Ana a usava constantemente. Um vício, por assim dizer.

Mas voltando à divagação de Ana: tanto fazia conhecê-la por dentro como por fora. Por fora era grande. E por dentro também. Seus sentimentos sempre foram fortes demais. Não conseguia ficar tristinha. Se ficava triste, era triste mesmo. Se gostava de alguém, era algo pra valer. Tudo quase exageradamente.

E foi pensando nisso que Ana se deu conta de que deveria ligar para Maria, sua inimiga nº 1. Mas é claro (!) que Maria não sabia dessa classificação de Ana. Maria era uma inimiga, mas diferente do esteriótipo dado para essa palavra. Ser um inimigo para Ana era não contribuir para a harmonia do mundo. Sim, Ana era mística. Acreditava que o mundo era um ser vivo. E Maria, o oposto de Ana, era materialista-compulsiva-consumista-poluidoradanatureza. Mas Ana gostava dela porque sim. E porque sim é resposta sim.

Então Ana discou os números. Esperou uns instantes até alguém atender o telefone do outro lado da linha.

-Alô? - disse uma voz misteriosa.
-Oi, gostaria de falar com Maria, por obséquio, clar...

Mas Ana foi interrompida por um grito, que vinha claramente de sua cozinha. Não reconheceu a voz da pessoa. Começou a sentir medo.

-Ana?? O que está acontecendo. Eu estava brincando com você. Essa voz não era minha de verd...

Ela já não conseguia mais prestar atenção. A voz que gritara parecia pedir ajuda. Mas que tipo de ajuda? Ana deveria ir lá ou ligar para a polícia? Mas o que a polícia teria a ver com isso? Depois de tanto refletir decide ir à cozinha. Para enfrentar o medo você deve encarar o medo.

Resolveu tirar as sandálias, tentando diminuir o barulho provocado pelo atrito com o chão. O coração batia aceleradamente. Já perto da porta, Ana para. E dá um longo suspiro. Entra na cozinha.

...

E então ela vê. Tudo o que acreditava parecia se dissolver. Não parecia mais ter 13 anos. Sentia-se novamente uma criança, indefesa diante do que via. E o que ela via, meu Deus, não era deste mundo. Ou pelo menos nunca havia sido relatado antes por outro ser humano.

Mas ao contrário do que ela achara, não sentiu medo. Uma paz, algo que ela não conseguia explicar, começou a crescer em seu corpo. O ser diante de isso transmitia a paz, embora estivesse sentindo dor no momento. Ana apiedou-se e aproximou dele.

-Você está bem? -perguntou um pouco trêmula.

Era óbvio que ele não estava, mas Ana quis ser educada. Pegou então um copo com água e ofereceu ao ser.

Por um instante ele olhou bem nos olhos de Ana, como se estivesse decifrando sua alma. Depois de uns minutos de observação, finalmente aceita e pega o copo dela. Ana sentiu-se mais relaxada, afinal o ser correspondera ao seu gesto de gentileza.

-De onde você veio? - Ana imediatemente se arrependeu da pergunta, mas agora estava curiosa de mais para reter sua dúvida.

-Sempre estive aqui. - disse respondeu com ternura.

-Mas... desculpe-me a indelicadeza... eu nunca o vi aqui.

-Você nunca me via porque ainda não estava preparada.

-Preparada para o que? - pergunta, novamente assustada com toda a situação.

O ser levantara-se. E o ser, pensava Ana, na verdade era idêntico a um ser humano. Exatamente a mesma coisa. Mas tinha algo nele que não sabia explicar e o tornava diferente de tudo. Diferente mesmo desse mundo.

-Preciso que você venha comigo -ele dizia isso com tanto amor que Ana não saberia recusar. Pensou então na sua inimiga.

-Mas para onde? Eu preciso falar com Maria ainda...

-Não se preocupe. Ela te entenderá depois.

Sorriu então para ela, o que imediatamente trouxe a sensação se segurança. Ana estava confusa, mas se sentia muito bem, como nunca havia se sentido antes. O que significava tudo isso?

[To be continued]


***

Nossa, nem 'credito que eu consegui escrever tudo isso!! E o mais engraçado é que eu não fazia a mínima ideia de como a história terminaria. Fui escrevendo o que ia surgindo em minha cabeça, mas acho que ficou um pouco clichê assim! rsrsrsr
Parece um pouco com novela mexicana. Você tem que esperar o próximo capítulo para matar a curiosidade. Mas a verdade é que eu não sei mais o que escrever! hahhaha

Mas foi bom tentar... me senti bem escrevendo. Uma sensação muito boa!! Mas acho que preciso criar uma espécie de roteiro, para que a estória não fique meio perdida!!

Não percam o próximo capítulo de Ana, a Gorda!! ;**

2 comentários:

Manoel Dias disse...

Caraca, o post ficou grande! rsrs

Nayara disse...

Caraca Mano!! Ficou muito legal e tem a sua cara, como por exemplo, perceber essas coisas diferentes de nomes e um monte de outras relações.Na parte do mistério cada frase te faz pensar em uma coisa e agora eu estou super curiosa pra saber o que é esse ser,trate de continuar nessa história e desenrolar esse enredo. ^^
Parabéns!Eu estou com planos para num futuro não muito distante realizar esse sonho de criancinha de ser escritora!

Tá ficando bom Mano, não desista e continue animado!
Bjos

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